imag25 1O Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria, à semelhança de anos anteriores, assinalou a passagem de mais um aniversário sobre a Revolução dos Cravos com uma exposição evocativa, cedida pelo Centro de Documentação 25 de Abril e com alguns documentos (jornais, revistas, documentos pessoais) gentilmente cedidos por professores do Agrupamento e por alguns vieirenses, e ainda por uma palestra interactiva, desta vez sobre a Repressão no Estado Novo, numa actividade dinamizada pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas. 

Assim, no passado dia 24 de Abril os alunos do Agrupamento puderam escutar testemunhos directos de quem sofreu na pele e na alma a repressão do Estado Novo. 

“Aos sete anos vi levarem o meu pai”, “aos sete anos conheci o meu pai” – assim começaram dois dos relatos em vozes embargadas, da Professora deste Agrupamento Olga Gonçalves e de uma artesã, a única a picar limas à mão, Exmª Srª Florizete Brites Reis, duas filhas de dois dos resistentes que conheceram as prisões antes do 25 de Abril. No depoimento em primeira mão do Sr. Manuel Ferreira Gonçalves, de 80 anos, soubemos que conheceu mesmo, numa única vez e em 16 meses de reclusão, as prisões do Aljube, de Caxias, do Porto e de Peniche, todas de má memória para quem combateu pela liberdade, com sacrifício das suas vidas e da dos seus. “Nunca sabíamos para onde o tinham levado a não ser à chegada para o visitar”, contava a sua filha. Conheceu a tortura do sono e privações de todo o tipo. Florizete Reis recorda o que foi ver levarem o pai, Raul Brites Quiaios, e outros familiares na mesma noite e a angústia de não saber para onde. Recordou também um dia especial em que o pai foi libertado e apareceu sem esperarem… Depoimentos também do Sr. Cândido Faustino que recordou a detenção pela PIDE do seu irmão Horácio e do Sr. Saul Fragata que, não tendo estado preso, conheceu de perto as artes e manhas da polícia política, em virtude da sua acção como sindicalista. Ouvimos falar de momentos de tensão, de fugas, de sucessos e de fracassos frente à polícia política, de histórias de resistentes da Marinha Grande e da Vieira, de gente que a PIDE não quebrou para lhes arrancar o nome de outros ou dos locais onde se imprimiam os panfletos e jornais anti-regime. 

Os relatos, neste dia evocativo, foram pungentes, comoveram alguns dos presentes e despertaram nos jovens alunos questões sobre aquela época às quais os palestrantes responderam de forma pedagógica e ilustrativa. 

Quis o Agrupamento não apenas homenagear aqueles que pagaram duramente o preço da nossa Liberdade mas também demonstrar que a nossa História colectiva, é feita de histórias pessoais marcantes, de vidas traçadas na luta e, sobretudo, com rostos e com vozes ainda activas. Conhecer a História e a dureza dos tempos que antecederam estes é, afinal, fundamental para que esses tempos não voltem e tenha sido em vão o sacrifício de tantos

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